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Mostrando postagens de julho, 2017

Abstração x Complexidade

Se você faz parte do grupo que diz que “todo jogo é abstrato” a nossa conversa acaba aqui.  Isso por que esse é o tipo de argumento que adentra no campo o pragmatismo e encera a conversa, concluindo-a sem se permitir sobre ela refletir. É o tipo de coisa preguiçosa, de como eu diz que não adianta viver se no final de tudo a gente acaba morrendo. O matemático Georg Cantor (1845-1918) foi notável em seu estudo dos conjuntos numéricos trasfinfinitos. Não nos debruçaremos sobre o fascinante universo da Teoria dos Conjuntos mas para entender um pouco do trabalho de Cantor tomemos um exemplo bem prático: Suponha que você quer contar de um a dois. Quanto tempo levaria para executar essa tarefa?   Isso depende muito de quantos números entre um e dois você irá considerar. Isso por que entre um e dois existem uma infinidade de outros números que podem tornar essa contagem tão demorada que você jamais alcançará o número dois . O que Cantor fez foi nos mostrar que ex...

O primeiro jogo a gente nunca esquece

O primeiro jogo a gente nunca esquece. A espera pela entrega, ou   a pressa em chegar em casa após sair da loja. A euforia em retirar o plástico, destacar os componentes, a primeira “folheada” no livro de regras... São coisas que tornam a aquisição do primeiro jogo uma experiência única.   Na estreia nem tudo pode sair como planejado. A falta de costume com o funcionamento do jogo pode fazê-lo(a) esquecer/ignorar uma ou outra regra. Talvez os companheiros(as) de mesa não sejam os mais apropriados para o tipo de jogo mas de alguma forma são eles que irão marcar esse momento. O local do jogo, a organização do ambiente, da mesa e os petiscos podem ser melhorados com o tempo. Aliás as vezes o tempo disponível é mal calculado. O encanto desse momento é algo memorável. Algo a ser preservado na memória e eu merece lugar de honra em nossas considerações. Se a experiência do primeiro jogo foi boa poucos jogos terão tanto carinho quanto este em sua vida.

Avaliações apressadas

Minha nota para este jogo é 10 por que este é o melhor jogo que já joguei na vida. Não vejo nada errado com quem conhece poucos jogos, com quem jogou poucos, ou com quem conhece bastante jogos e ainda assim não os conhecem a fundo. Não vejo erro algum em quem já jogou 1 ou duas partidas de cada um dos setecentos jogos que possui em sua estante. Mas quanto a este grupo me ponho a refletir sobre a pressa em dar a sua avaliação sobre a experiência proporcionada por um jogo. Geralmente esboço um singelo sorriso quando alguém me diz que considera Isaac Newton o físico mais espetacular de todos os tempos. Penso comigo mesmo: o que leva essa a pessoa a encerrar toda física à uma visão  de pelo menos 3 séculos atrás? Contrapartida fico ainda mais preocupado quando alguém nega a necessidade de se aprender física newtoniana ao tempo em que supostamente hoje o mundo seria quântico e relativístico. Quanta bobagem dita por falta de maturidade e conhecimento de causa! No cas...

Eurogames são chatos!

A mesa do lado era só algazarra, estavam jogando Bang! Uma outra mesa vizinha aventureiros estavam tentando fugir da masmorra com o tesouro saqueado numa frenética corrida antes que o sol se escondesse por completo no horizonte em Dungueonquest. Na minha mesa eu explicava pacientemente Stone Age quando uma menina falou: jogos euro são chatos! Refletindo um pouco sobre aquela frase tenho que concordar com ela, se usarmos o conceito de diversão que ela usou naquele momento: eurogames são chatos. Porém se mudarmos um pouco o prisma pelo qual enxergamos a definição de diversão a coisa pode ser um pouco diferente. Culturalmente somo doutrinados a aceitar que temos a obrigação de sermos felizes o tempo todo. Precisamos estar rindo o tempo todo, cercado de gente alegre, falando sobre qualquer coisa que faça rir, fazendo coisas diferentes o tempo todo e de preferência postando isso em tempo real nas redes sociais. Aliás, nas redes sociais todo mundo e feliz e ninguém tem problemas, rugas ...

Quem gosta de dados?

Me parece expressivo o número de jogadores ou pseudo jogadores de board/card game que possuem aversão a jogos que se utilizam de dados. A menos é claro quando esse jogo é endossado pela opinião de alguma personalidade influente no meio ou por alguma premiação de critérios questionáveis. A motivação maior de tudo isso, ao que percebo, conversando e lendo comentários e opiniões a respeito, se trata da frustração que os jogadores sentem ao não obter resultados desejados na rolagem de dados. A pergunta que faço e obre a qual eu quero me debruçar é: e isso e ruim? Sobre qual aspecto da vida humana tudo o que desejamos acontece da forma que desejamos? São tempos estranhos esses nos quais todos acham que sua vontade particular deve ser atendida a hora em que bem entender. São tempos estranhos esses nos quais o indivíduo acha que tudo deve conspirar a seu favor. São tempos estranhos nos quais jogadores acham que eles sempre devem vencer. Entendendo que ao jogar um board/card game o joga...