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Mostrando postagens de outubro, 2017

O mal estar dos jogos modernos I

A civilização moderna se constituiu no refinamento da “arte” de reprimir nossos desejos por sexo e por violência. O entretenimento é uma das expressões máximas de repressão a esses desejos. O jogo é isso: uma oportunidade de esquecer(reprimir) o impulso sexual e o impulso agressivo. Olhando para os jogos de hoje é perceptível o quanto os jogos se afastam (em sua maioria) da sexualidade ou abstraem (banalizam) a violência. Alias a violência é tão banalizada que ela se torna divertida, distante do que o é de fato e por vezes até motivo de orgulho de jogadores. Freud diz que a modernidade “é mais ou menos beleza (“essa coisa inútil que esperamos ser valorizada pela civilização”), limpeza (“a sujeira de qualquer espécie parece-nos incompatível com a civilização”) e ordem (“Ordem é uma espécie de compulsão à repetição que, quando um regulamento foi definitivamente estabelecido, decide quando, onde e como uma coisa deve ser feita, de modo que em toda circunstância semelhante não haj...

A impossibilidade do desejo

Só desejamos o que não possuímos. Assim podemos entender o desejo como “a falta”. O amor platônico. Desejo um jogo novo. Desejo jogar com meus amigos. Desejo falar sobre minha jogatina.  Ultimamente jogar, tem sido uma desculpa/motivo para dizer ao mundo “pare!” que eu quero um tempo para mim e para as companhias que prezo. Meu desejo por um momento de paz em detrimento da intensidade das obrigações dos dias. Nessas ocasiões, pra mim é muito evidente o quanto gosto de estar onde estou. Mas como assim? Tenho notado um fenomeno bem comum em noss dias que estou chamando de apreço pela impossibilidade. Talvez especialistas do assunto tenham um nome técnico mais apropriado para isso. E que fenomeno é esse? Duas pessoas A e B se encontram e gastam boa parte do tempo em que estão juntos se comunicando com C e D (respectivamente) que estão em um outro lugar. Quando a pessoa A se encontra com a C e a B se encontra com D, a pessoa A gasta seu tempo se comunicando com a B enq...

5 Passos para fazer seu sucesso com seu jogo.

Receita para se fazer um jogo de sucesso em 5 passo: 1) Fale que seu jogo não tem dados. Ou se tiver que eles não influenciam no jogo, são apenas belos objetos de decoração. 2) Diga sempre que o tema não é importante, mas diga que seu jogo trata de alguma coisa irrelevante de uma cidade obscura e sem importância da Europa. 3) Diga sempre que o ponto mais forte de seu jogo é a mecânica, mas garanta que a caixa tenha uma arte estupenda. Cá entre nós, arte vende mais que mecânica. 4) Pague o preço que for para os ter seu jogo em todos os canais de youtube. 5) Fale que seu jogo é para gamers, mas diga que ele é tem um apelo para família e pode ser jogado pelo número de jogadores que se desejar.  

Carcassone com Pizza

Tenho jogado carcassone como nunca antes. Tenho jogado sem a usura de vencer todas as partidas, o que leva me levaria a contar as peças, marcar as jogadas de meus amigos (tornando-os adversários). Joguei da melhor maneira que este jogo poderia ser jogado:   espretenciosamente e ao mesmo tempo objetivado a dar o meu melhor   em otimizar minhas jogadas ao mesmo tempo em que desfrutava da companhia agradabilissima de meus amigos. Que jogo impressionante. Simples e competente, como poucos jogos o fazem. Jogamos a noite toda e nem cogitamos jogar outra coisa, tamanha satisfação que todos estavam com o jogo. Um único jogo na noite. Um jogo que não é o o último grande lançamento. Me pergunto por que este jogo é tratado por grande maioria dos jogadores apenas como indicação “para quem está começando”.   Não há dúvida que ele tem o potencial imenso para iniciar novos jogadores, mas ele é muito mais aproveitado quando os jogadores já são “experimentados”. A jogatina foi ...

Somos Todos Colonizados

Acho  assustador como as marcas da colonização são tão profundas em nós brasileiros. Essas marcas são tão gritantes que chegam a tirar de nós nossa própria identidade e nos identificam como o que, na ideia dos colonizadores jamais deixar de ser: colonizados. Tenho acompanhado bem de perto os passos de alguns autores brasileiros de jogos , amadores e profissionais em suas empreitadas.  Tem acontecido nesse fenomeno algo muito similar ao que aconteceu há algum tempo com os autores de quadrinhos nacionais.  Com relação a este segundo gruo, não há dúvida da evolução na maturidade desses profissionais. E me refito aqui aos que fazem quadrinhos no Brasil, com abordagem brasileira e para brasileiros. O argumento contra esse movimento de que não existe “uma industria de quadrinhos nacional” é coisa  de gente que precisa estudar um pouco mais para melhorar  seu conteúdo intelectual. Quem espera que haja uma massificação da produção de qualquer tipo de arte, é o tipo de...