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A impossibilidade do desejo

Só desejamos o que não possuímos. Assim podemos entender o desejo como “a falta”. O amor platônico.

Desejo um jogo novo. Desejo jogar com meus amigos. Desejo falar sobre minha jogatina.
 Ultimamente jogar, tem sido uma desculpa/motivo para dizer ao mundo “pare!” que eu quero um tempo para mim e para as companhias que prezo. Meu desejo por um momento de paz em detrimento da intensidade das obrigações dos dias.

Nessas ocasiões, pra mim é muito evidente o quanto gosto de estar onde estou. Mas como assim?
Tenho notado um fenomeno bem comum em noss dias que estou chamando de apreço pela impossibilidade. Talvez especialistas do assunto tenham um nome técnico mais apropriado para isso. E que fenomeno é esse?

Duas pessoas A e B se encontram e gastam boa parte do tempo em que estão juntos se comunicando com C e D (respectivamente) que estão em um outro lugar. Quando a pessoa A se encontra com a C e a B se encontra com D, a pessoa A gasta seu tempo se comunicando com a B enquanto a pessoa C gasta seu tempo se comunicando com a B.

Presenciei um acontecimento muito próximo desse exemplo hipotético quando eu e alguns amigos nos encontramos para comer pizza e o pessoal alheio ao momento estavam cada um mechendo no seu próprio celular. Deixei minha contribuição pra conta e prometi mandar uma mensagem pra todos quando chegasse em casa (coisa que aliás me esqueci de fazer).

As vezes o cara está na mesa mas está mais interessado no celular do que no jogo? Quantas vezes o cara está mais preocupado em tirar foto da mesa do que em jogar? Quantas vezes o cara fica fazendo pose e falando coisas desnecessárias apenas por que vai fazer um video ou resenha do jogo em uma rede social qualquer? Gente que está jogando mas com o pensamento noutra coisa. Gente que projeta sua vontade de estar em outro lugar, ou talvez no futuro enquanto a vida passa diante de seus olhos.

Sou pouco tolerante a esse tipo de comportamento em adultos. Tenho pouco apreço por jogos que estimulam o comportamento “cada um na sua” justamente pelo fato de achar um disperdicio passar 2 horas de jogo sem interagir com meu amigo(a). Qual o sentido de estar com “a galera” empurrando cubinhos em modo solitário?

Ao mesmo tempo em que as novas tecnologias de comunicação e informação encurtaram as distâncias, ela afastou as pessoas. Quado realizar o desejo de jogar, deseje continuar jogando no presente e aproveitando as pessoas a sua volta.

  



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