Pular para o conteúdo principal

Existem Jogadores(as) Fora do hobie


A despeito do que digam existe muita gente (mas muita gente mesmo) que conhece jogos, joga há bastante tempo e está alheio(a) ao que acontece em grupos de jogos espalhados na internet.E essas pessoas vivem muito bem obrigado.
A máxima de que “se eu não vejo não existe” é repetida a exaustão dentro desses grupos virtuais. Elas ignoram o fato de que alguém pode ter o hábito de joga sem ter contudo a necessidade de se relacionar com pessoas “de fora” do seu círculo de amizades ou familiar no mundo real. 
Aí os mais engajados virtualmente principalmente os que gostam de dar carteirada nos outros a respeito do tempo em que estão nessas comunidades ou do número de jogos de sua coleção, podem alegar que essas pessoas  não são “gamers de verdade”. Na concepção dessas pessoas (os auto proclamados gamers) ela precisa bravar ao mundo que leva a sério o seu hobbie e para ser game você precisa dedicar muito tempo (e dinheiro) em jogos. E mais: essa dedicação não pode ser silenciosa! Ela precisa ser "tuitada", fotografada, compartilhada a todo momento e precisa necessariamente ser visualizada e  curtida por um numero incontável de pessoas.
É impressionante como em situações como essa se recorre à falácia do escocês para argumentar algo tão fútil e desnecessário quanto o quem é ou quem não é game de verdade. É impressionante como muita gente "da ouvido" e reproduz esse tipo de bobagem. Mais do que eu, os doutos em comportamento e psique humana talvez possam explicar isso de uma maneira mais "cientifica" porém percebo esse tipo de atitude como algo muito parecido com o que acontece com jovens em idade escolar que são mimados demais pela família e não desenvolvem maturidade o suficiente para reconhecer e respeitar o seu espaço e o espaço do outro. 


Acreditar que somente o seu espaço é o espaço costuma ser a causa (relatada ou não) original de muitos casos de "bullyng" no âmbito escolar. É o tipo de coisa que machuca e de forma violenta pode produzir estragos em uma velocidade muito maior do que qualquer capacidade de repará-lo.

Então é preciso tomar muito cuidado (de verdade) quando se está diante de uma pessoa que não é tão antiga quanto você na comunidade e respeitá-la a altura do ser humano que ela é. Isso deve acontecer independentemente do tempo de "hobbie" que ela tem ou do numero de postagens ou de jogos que que ela possui. Uma comunidade que respeita os novos usuários é uma comunidade que cresce saudável. E uma comunidade saudável é bom para todos nós.

É compreensível que em algum momento da vida você talvez tenha cometido o erro de menosprezar ou subestimar alguém que não está em evidência o tempo todo na comunidade (acredite tem gente que é ocupada demais para dedicar tanto tempo quanto você à uma comunidade virtual) ou alguém que "está chegando" agora para conhecer o maravilhoso  mundo dos jogos. Mas uma vez tomando consciência desse erro o melhor a se fazer é chutá-lo para fora do jogo  e libertar-se desse grilhão e deixar as pessoas serem felizes da maneira que elas quiserem com o jogo que elas quiserem ao tempo em que você mesmo(a) vai procurar ser feliz à sua maneira.Existem

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O primeiro jogo a gente nunca esquece

O primeiro jogo a gente nunca esquece. A espera pela entrega, ou   a pressa em chegar em casa após sair da loja. A euforia em retirar o plástico, destacar os componentes, a primeira “folheada” no livro de regras... São coisas que tornam a aquisição do primeiro jogo uma experiência única.   Na estreia nem tudo pode sair como planejado. A falta de costume com o funcionamento do jogo pode fazê-lo(a) esquecer/ignorar uma ou outra regra. Talvez os companheiros(as) de mesa não sejam os mais apropriados para o tipo de jogo mas de alguma forma são eles que irão marcar esse momento. O local do jogo, a organização do ambiente, da mesa e os petiscos podem ser melhorados com o tempo. Aliás as vezes o tempo disponível é mal calculado. O encanto desse momento é algo memorável. Algo a ser preservado na memória e eu merece lugar de honra em nossas considerações. Se a experiência do primeiro jogo foi boa poucos jogos terão tanto carinho quanto este em sua vida.

O mal estar dos jogos modernos I

A civilização moderna se constituiu no refinamento da “arte” de reprimir nossos desejos por sexo e por violência. O entretenimento é uma das expressões máximas de repressão a esses desejos. O jogo é isso: uma oportunidade de esquecer(reprimir) o impulso sexual e o impulso agressivo. Olhando para os jogos de hoje é perceptível o quanto os jogos se afastam (em sua maioria) da sexualidade ou abstraem (banalizam) a violência. Alias a violência é tão banalizada que ela se torna divertida, distante do que o é de fato e por vezes até motivo de orgulho de jogadores. Freud diz que a modernidade “é mais ou menos beleza (“essa coisa inútil que esperamos ser valorizada pela civilização”), limpeza (“a sujeira de qualquer espécie parece-nos incompatível com a civilização”) e ordem (“Ordem é uma espécie de compulsão à repetição que, quando um regulamento foi definitivamente estabelecido, decide quando, onde e como uma coisa deve ser feita, de modo que em toda circunstância semelhante não haj...