Acho assustador como as marcas da colonização são tão profundas em nós brasileiros. Essas marcas são tão gritantes que chegam a tirar de nós nossa própria identidade e nos identificam como o que, na ideia dos colonizadores jamais deixar de ser: colonizados.
Tenho acompanhado bem de perto os passos de alguns autores brasileiros de jogos , amadores e profissionais em suas empreitadas. Tem acontecido nesse fenomeno algo muito similar ao que aconteceu há algum tempo com os autores de quadrinhos nacionais.
Com relação a este segundo gruo, não há dúvida da evolução na maturidade desses profissionais. E me refito aqui aos que fazem quadrinhos no Brasil, com abordagem brasileira e para brasileiros. O argumento contra esse movimento de que não existe “uma industria de quadrinhos nacional” é coisa de gente que precisa estudar um pouco mais para melhorar seu conteúdo intelectual.
Quem espera que haja uma massificação da produção de qualquer tipo de arte, é o tipo de pesso que se distanciou tanto da realidade ao ponto de acreditar que pode comprar 10 panos de pratos pintados á mão na prateleira do mercado (todos perfeitamente idêenticos). Aliás é impressionante como a vida nas grandes cidades tem esse poder de nos alienar frente ao mundo real.
Ouço e leio pessoas dizendo esperar o surgimento de um grande mercado e comercialização de jogos “nacionais” . Quem viveu sonhando com a “industria” dos quadrinhos nacionais parece que acordou há um bom tempo e foi fazer outra coisa de sua vida. Esse tipo de utopia é muito maléfico para quem tem interesse por esse tipo de produto. Maléfico por que nega a nossa condição atual e projeta para o futuro uma expectativa que jamais pode acontecer. Quem está esperando uma grande industria de jogos no Brasil pode certeamente pode se frustrar muito enquanto espera.
Não somos um país industrial. Somos um país que troca dinheiro por papelão. Somos um país que exporta grãos e compra-os de volta em uma latinha. Somos um país que exporta petróleo e energia elétrica e importa esses mesmo produtos mais caros. Somos um país que publica estudos cientificos em revistas internacionais, para que empresas internacionais utilizem essas pesquisas e desenvolvam produtos que serão vendidos a nós a um preço salgado. Somo um país em constante progresso de nosso próprio subdesenvolvimento.
Tenho observado a vontade de autores brasileiros de publicar seu jogo la fora como se isso fosse o supra sumo existencial. Entendo este fato como consequência direta de dois fatores: primeiro pela falta de valorização de nóos brasileiros por aquilo que nós fazemos; segundo pelo pensamento de que precisamos ser como os colonizadores para deixarmos de ser colonizados.
Tirando os jogos do Macri, é dificil apontar um jogo nacional de autor nacional feito para o público brasileiro cuja a aceitação tenha sido tamanha a ponto de justificar outras tiragens. A maioria dos jogos morrem na primeira tiragem e são rapidamente esquecidos. E isso acontece não é por demerito dos jogos, mas por consequência direta de nossa falta de costume em apreciar o que é nosso. Quem disser que isso é questão de preço está completamente errado: existem jogos gratuitos, disponíveis na internet que o publico ignora e que os pseudos formadores de opinião (lei-ase vendedores de opinião) não dão a mínima já que isso não lhe renderá lucro algum (a priori).
A falta de reconhecimento no brasil leva os autores a mendingar lá fora o que não conseguem aqui. Essa vontade de ter seu nome associado a uma grande empresa internacional é tamanha que é dificil de acreditar que submetam seu trabalho à apreciação internacional por uma margem e lucro tão baixa ao ponto de que talvez ele tivesse mais retorno financeiro vendendo 200 unidades no Brasil do que vendendo 6000 cópias lá fora.
Conversado com quadrinistas e pessoas ligadas à area de artes, gente com alguma experiência internacional, percebe-se um fenômeno interessante. O artista não se importa em vender seu trabalho barato para uma grande empresa internacional como a wizzard of the coast ou marvel, desde que ele possa dizer em alto e bom som que já trabalhou para essa ou aquela empresa.
Tive um professor que colaborou com uma importante pesquisa da Agencia Espacial Norte Americana no começo de sua carreira. A despeito de jamais voltar a ter trabalhado para a NASA novamente e de tudo o que fez ele era apresentado e se apresentava como colaborador da NASA por onde quer que fosse. Pesquisando a suposta colaboração descobri que o que a Nasa fez foi citar usar sua tese de doutorado em uma ou duas publicações e mandar uma carta de agradecimento a ele. Nunca recebeu 1 centavo por um trabalho que a NASA usou e certamente ganhou bilhões. Mas ele estava contente e feliz por isso.
O colonizado precisa se diferenciar de seus iguais de alguma forma, e na impossibilidade de deixar sua condição, tenta ao máximo se parecer com o colonizador ou ter sua aprovação. Isso está em todos os lugares de nosso país. O autor é brasileiro, cria um jogo no brasil usando mecânicas de consagradas mundialmente mas chama seu jogo de “euro”, acreditando que isso agrega valor ao seu produto. E o pior é que tem gente que aplaude esse tipo de coisa.
Ruínas de Terra Santa é um nome excelente. Chega a ser poético. Podia muito bem se passar no Brasil colonial com uma temática de bruxas NEGRAS fugindo dos franciscanos e anchietas. Mas não, Triora é uma cidade na Itália que até então nunca ouvi nenhum brasileiro falar que conhecia e portanto é um nome melhor. Melhor pra quem? Pro gringo é claro, para quem certamente iremos financiar o jogo. Vacilo completo da Red Box, e do Michael que podiam ter usado essa possibilidade para levar um pouco de nossa identidade para fora.
Mas sempre há esperança. Tenho observado “uma galera” enorme fazendo jogos que tem chamado a atenção por sua proposta e boa e aparentemente executada mecanicamente de jogos com enfoque na nossa identidade. Maracanã, Xingú, Copacabana são só alguns exemplos.
Não pense, contudo que se trata de algum tipo de nacionalismo exacerbado que pretendo buscar, mas tenho notado que autores lá de forma parece estar começando a buscar coisas de Brasil para seus jogos enquanto nós estamos alheios a isso. Logo teremos de um autor português um “euro” sobre o descobrimento do Brasil. Temos jogos sobre favelas e sobre as cataratas do iguaçu feito por gringos enquanto os brasileiros tão fazendo jogos sobre a europa medieval (tema já tão explorado e batido).
A ideia de que o Brasil será um pais melhor se fizermos isso ou aquilo é balela. Esse lugar tem que ser bom aqui e agora, se não movermos esforços para desprendermos-nos dessas amarras intelectuais, frutos dessa mentalidade colonizada que carregamos não haverá um mercado nacional, como não há agora. O que chamam de mercado nacional é um mercado de importação de papelão. Estamos trocando dinheiro por papelão, exportando talentos e importando o que sobra dos EUA e da Europa (como sempre fizemos).
Tenho acompanhado bem de perto os passos de alguns autores brasileiros de jogos , amadores e profissionais em suas empreitadas. Tem acontecido nesse fenomeno algo muito similar ao que aconteceu há algum tempo com os autores de quadrinhos nacionais.
Com relação a este segundo gruo, não há dúvida da evolução na maturidade desses profissionais. E me refito aqui aos que fazem quadrinhos no Brasil, com abordagem brasileira e para brasileiros. O argumento contra esse movimento de que não existe “uma industria de quadrinhos nacional” é coisa de gente que precisa estudar um pouco mais para melhorar seu conteúdo intelectual.
Quem espera que haja uma massificação da produção de qualquer tipo de arte, é o tipo de pesso que se distanciou tanto da realidade ao ponto de acreditar que pode comprar 10 panos de pratos pintados á mão na prateleira do mercado (todos perfeitamente idêenticos). Aliás é impressionante como a vida nas grandes cidades tem esse poder de nos alienar frente ao mundo real.
Ouço e leio pessoas dizendo esperar o surgimento de um grande mercado e comercialização de jogos “nacionais” . Quem viveu sonhando com a “industria” dos quadrinhos nacionais parece que acordou há um bom tempo e foi fazer outra coisa de sua vida. Esse tipo de utopia é muito maléfico para quem tem interesse por esse tipo de produto. Maléfico por que nega a nossa condição atual e projeta para o futuro uma expectativa que jamais pode acontecer. Quem está esperando uma grande industria de jogos no Brasil pode certeamente pode se frustrar muito enquanto espera.
Não somos um país industrial. Somos um país que troca dinheiro por papelão. Somos um país que exporta grãos e compra-os de volta em uma latinha. Somos um país que exporta petróleo e energia elétrica e importa esses mesmo produtos mais caros. Somos um país que publica estudos cientificos em revistas internacionais, para que empresas internacionais utilizem essas pesquisas e desenvolvam produtos que serão vendidos a nós a um preço salgado. Somo um país em constante progresso de nosso próprio subdesenvolvimento.
Tenho observado a vontade de autores brasileiros de publicar seu jogo la fora como se isso fosse o supra sumo existencial. Entendo este fato como consequência direta de dois fatores: primeiro pela falta de valorização de nóos brasileiros por aquilo que nós fazemos; segundo pelo pensamento de que precisamos ser como os colonizadores para deixarmos de ser colonizados.
Tirando os jogos do Macri, é dificil apontar um jogo nacional de autor nacional feito para o público brasileiro cuja a aceitação tenha sido tamanha a ponto de justificar outras tiragens. A maioria dos jogos morrem na primeira tiragem e são rapidamente esquecidos. E isso acontece não é por demerito dos jogos, mas por consequência direta de nossa falta de costume em apreciar o que é nosso. Quem disser que isso é questão de preço está completamente errado: existem jogos gratuitos, disponíveis na internet que o publico ignora e que os pseudos formadores de opinião (lei-ase vendedores de opinião) não dão a mínima já que isso não lhe renderá lucro algum (a priori).
A falta de reconhecimento no brasil leva os autores a mendingar lá fora o que não conseguem aqui. Essa vontade de ter seu nome associado a uma grande empresa internacional é tamanha que é dificil de acreditar que submetam seu trabalho à apreciação internacional por uma margem e lucro tão baixa ao ponto de que talvez ele tivesse mais retorno financeiro vendendo 200 unidades no Brasil do que vendendo 6000 cópias lá fora.
Conversado com quadrinistas e pessoas ligadas à area de artes, gente com alguma experiência internacional, percebe-se um fenômeno interessante. O artista não se importa em vender seu trabalho barato para uma grande empresa internacional como a wizzard of the coast ou marvel, desde que ele possa dizer em alto e bom som que já trabalhou para essa ou aquela empresa.
Tive um professor que colaborou com uma importante pesquisa da Agencia Espacial Norte Americana no começo de sua carreira. A despeito de jamais voltar a ter trabalhado para a NASA novamente e de tudo o que fez ele era apresentado e se apresentava como colaborador da NASA por onde quer que fosse. Pesquisando a suposta colaboração descobri que o que a Nasa fez foi citar usar sua tese de doutorado em uma ou duas publicações e mandar uma carta de agradecimento a ele. Nunca recebeu 1 centavo por um trabalho que a NASA usou e certamente ganhou bilhões. Mas ele estava contente e feliz por isso.
O colonizado precisa se diferenciar de seus iguais de alguma forma, e na impossibilidade de deixar sua condição, tenta ao máximo se parecer com o colonizador ou ter sua aprovação. Isso está em todos os lugares de nosso país. O autor é brasileiro, cria um jogo no brasil usando mecânicas de consagradas mundialmente mas chama seu jogo de “euro”, acreditando que isso agrega valor ao seu produto. E o pior é que tem gente que aplaude esse tipo de coisa.
Ruínas de Terra Santa é um nome excelente. Chega a ser poético. Podia muito bem se passar no Brasil colonial com uma temática de bruxas NEGRAS fugindo dos franciscanos e anchietas. Mas não, Triora é uma cidade na Itália que até então nunca ouvi nenhum brasileiro falar que conhecia e portanto é um nome melhor. Melhor pra quem? Pro gringo é claro, para quem certamente iremos financiar o jogo. Vacilo completo da Red Box, e do Michael que podiam ter usado essa possibilidade para levar um pouco de nossa identidade para fora.
Mas sempre há esperança. Tenho observado “uma galera” enorme fazendo jogos que tem chamado a atenção por sua proposta e boa e aparentemente executada mecanicamente de jogos com enfoque na nossa identidade. Maracanã, Xingú, Copacabana são só alguns exemplos.
Não pense, contudo que se trata de algum tipo de nacionalismo exacerbado que pretendo buscar, mas tenho notado que autores lá de forma parece estar começando a buscar coisas de Brasil para seus jogos enquanto nós estamos alheios a isso. Logo teremos de um autor português um “euro” sobre o descobrimento do Brasil. Temos jogos sobre favelas e sobre as cataratas do iguaçu feito por gringos enquanto os brasileiros tão fazendo jogos sobre a europa medieval (tema já tão explorado e batido).
A ideia de que o Brasil será um pais melhor se fizermos isso ou aquilo é balela. Esse lugar tem que ser bom aqui e agora, se não movermos esforços para desprendermos-nos dessas amarras intelectuais, frutos dessa mentalidade colonizada que carregamos não haverá um mercado nacional, como não há agora. O que chamam de mercado nacional é um mercado de importação de papelão. Estamos trocando dinheiro por papelão, exportando talentos e importando o que sobra dos EUA e da Europa (como sempre fizemos).
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