Minha nota para este jogo é 10 por que este é o melhor jogo que já joguei na vida.
Não vejo nada errado com quem conhece poucos jogos, com quem jogou poucos, ou com quem conhece bastante jogos e ainda assim não os conhecem a fundo. Não vejo erro algum em quem já jogou 1 ou duas partidas de cada um dos setecentos jogos que possui em sua estante. Mas quanto a este grupo me ponho a refletir sobre a pressa em dar a sua avaliação sobre a experiência proporcionada por um jogo.
Geralmente esboço um singelo sorriso quando alguém me diz que considera Isaac Newton o físico mais espetacular de todos os tempos. Penso comigo mesmo: o que leva essa a pessoa a encerrar toda física à uma visão de pelo menos 3 séculos atrás? Contrapartida fico ainda mais preocupado quando alguém nega a necessidade de se aprender física newtoniana ao tempo em que supostamente hoje o mundo seria quântico e relativístico. Quanta bobagem dita por falta de maturidade e conhecimento de causa!
No caso sobre essas visões da física, o que acontece é a nítida confusão da tentativa de generalizar algo particular. Se você só conhece Newton, claro que o seu leque de candidatos físico preferido ficará comprometido. Se você não conhece física quântica “de verdade” não tem ideia de como a física newtoniana é pratica e eficiente para explicarmos o nosso mundo macroscópico.
No que tange à avaliação de um jogo, principalmente de forma quantitativa eu pergunto o “porque” de ser tão urgente realizar uma avaliação quantitativa sem um número suficiente de partidas jogadas com diferentes pessoas ou com tão pouco referencial comparativo. Arrisco a dizer até que esse é um tipo de comportamento que negligencia a responsabilidade que sua avaliação por ventura possa ter, em busca apenas de algum tipo de visibilidade;
Só para citar um exemplo tomemos o caso do jogo Scythe que antes de ser lançado já possuía uma posição altíssima no ranking do BGG e pasmem: ninguém havia tido acesso ao jogo (além é claro dos envolvidos em sua produção-divulgação). Atentem que não quero com isso entrar no mérito de que o jogo se provou realmente bom ou não. Mas o que leva uma pessoa eu nunca jogou o jogo avalia-lo, inclusive o nota máxima?
Em qualquer área profissional uma avaliação mal feita, por precipitação ou falta de uma análise mais cuidadosa pode e geralmente gera prejuízos de ordem financeira, material e até mesmo vital. Se um engenheiro cometer uma falha ao analisar um projeto ele pode estar assinando a morte de várias pessoas; Um diagnóstico errado pode provocar sérios prejuízos à vida de um paciente; O orçamento errado de um pedreiro pode comprometer a agenda econômica de uma família; A falta de comprometimento com a verdade pode levar um juiz a condenar um inocente;
A aparente alegação de que diferentemente da vida real, o jogo é apenas uma brincadeira e que essas coisas não devem ser levadas a sério não se sustenta quando estamos falando de campanhas de venda chegam as cifras dos milhões de dólares para o financiamento de um único título. Apesar de ser um hobby e essa coisa toda parecer brincadeira, estamos falando de coisa séria onde muita gente aposta seu dinheiro, onde profissionais e amadores (no sentido de que fazem “a coisa” por amor) dedicam parte (ou toda) de sua vida e onde pessoas de uma maneira mais geral emprega seu tempo, de seus amigos e de sua família.
Uma avaliação mal feita, impensada ou apressada pode estar comprometendo o trabalho sério de muita gente. Da mesma forma pode fazer com que muita gente se arrependa de ter empregado seu dinheiro em algo que ela não empregaria se não tivesse sido influenciada pela avaliação que tomou por base.
Ainda que avaliar seja fruto de subjetividade, argumento de que a avaliação é algo de caráter estritamente pessoal na tentativa de justificar suas incoerências não se deve se sustentar diante da responsabilidade que se tem quando isso envolve o trabalho, o tempo e o dinheiro de outras pessoas.
Por fim toda essa conversa não é pra quem avalia. Estes em esmagadora maioria se consideram tão cheios de si e de autoridade que desdenham de tudo eu não seja o seu próprio mundo. Esta conversa a para você que se depara com uma avaliação qualitativa ou quantitativa na tentativa de forma uma opinião sobre um jogo, ou sobre sua aquisição.
Mais do que aceitar a opinião de quem está avaliando, tente entender os motivos que levaram ao avaliador àquela conclusão. Procure outros jogos parecidos e compare a avaliação deste mesmo avaliador. Se pergunte: quantas partidas será que ele jogou? Quantas vezes será que ele joga seus próprios jogos? Procure outra opiniões e confronte pontos eu se opõe. Pergunte-se o que ou quanto ganha o avaliador para tecer sua avaliação. A quem ele tenta agradar? Se pergunte se o avaliador vive no nosso mundo ou isolado no seu próprio mundo e reflita um pouco sobre haver ou não alguma confusão destes dois mundos. Em ultimo caso se tiver oportunidade, jogue e tire suas próprias conclusões.
Comentários
Postar um comentário